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domingo, 13 de novembro de 2011

Expandindo o Grupo

O sucesso do Rio Palace na década de ’80 abriu o apetite do grupo Veplan para expandir suas atividades na área de hotelaria.  Como faltava recursos financeiras próprias, ou linhas de financiamento que viabilizava  a construção ou aquisição de novos hotéis, a única maneira de crescer era  através de contratos de “management”, ou então de arrendamento de hotéis.  Logo surgiu uma oportunidade para o arrendamento de um hotel na praia de Boa Viagem, em Recife, e em Outubro de 1985 foi inaugurado o Recife Palace, um hotel de 315 apartamentos, que logo se estabeleceu como o melhor hotel da cidade.  O Recife Palace não tinha o mesmo luxo e requinte de contrucao quanto ao Rio Palace, mas, graças a uma administração primorosa do seu Gerente Geral,  Fernando Chabert, foi possível montar uma equipe de grande competência que conseguiu alcançar um grau de qualidade no atendimento, e no gestão,  ate então desconhecido na região.  Com isso o hotel logo alcançou bons resultados financeiros, tanto para seus proprietarios, como para o grupo Veplan.  

Outra tentativa de expansão, mas desta vez com resultados decepcionantes, foi a experiência de administrar um apart-hotel na Av. Sernambetiba na Barra da Tijuca.  Competia a Veplan administrar todo o condomínio e ainda comercializar o “pool” de hospedagem.  Fora isso,  foi montado um restaurante de qualidade, e um coffee shop para refeicoes ligeiras. Novamente, foi montado uma boa equipe gerencial, e tentou introduzir uma qualidade de serviço compatível com o que existia no Rio Palace e no Recife Palace.  Alem disso,  todo o “know-how” do grupo foi posto a disposição para comercializar o hotel no exterior.  Não demorou muito entretanto para percebermos que os conflitos de interesse entre os proprietarios das unidades do apart-hotel  eram totalmente inconciliáveis.  O empreendimento dispunha de 270 apartamentos, mas apenas 60 desses estavam no “pool”  hoteleiro, administrado pela Veplan.  Os demais apartamentos eram usados pelos proprietarios, ou como residência, ou para alugar diretamente para terceiros.  Ainda havia um “pool” paralelo, administrado por um corretor de imóveis, que oferecia gordas propinas para os recepcionistas indicar clientes, entre outras irregularidades.  Para a maioria dos moradores, o que interessava era reduzir o valor do condomínio, portanto empregar recepcionistas bilingues, serviço de concierge, e mensageiros eram  serviços desnecessários.  Já os proprietarios dos apartamentos que estavam dentro do “pool” hoteleiro reclamava do lucro do empreendimento, pois os corretores na hora da venda haviam prometidos mundos e fundos como provável lucro do empreendimento, incluindo remuneração em dólares.  As discussões e brigas que se sucediam nas reuniões do condomínio eram intermináveis.  A Veplan tinha um contrato para administrar o empreendimento  por dois anos, com direito de renovar por igual período,  mas foi com grande alivio que quando terminou o prazo inicial de dois anos,  declinamos do direito da renovação.

Uma outra tentativa de expandir o grupo surgiu quando José Carlos Ourivio desenvolveu um plano para construir um hotel na ilha de Fernando de Noronha.  O plano da Veplan era de construir um hotel de 400 apartamentos na ilha, o que obviamente seria grande demais para a limitada infraestrutura da ilha, mas o plano acabou não dando certo, por uma seria de razoes.  Mesmo assim, a tentativa pelo menos possibiltou que eu visitasse a bela ilha.  Na época, uma das poucas opcoes de hospedagem na ilha era numa espécie de Pensão, de péssima qualidade,  instalada nas dependências deixadas pela Forca Aérea americana que utilizou a ilha como uma base aérea durante a Segunda Guerra mundial.  Outra tentativa de expansão, que também não foi bem sucedido, resultou numa viagem com Ourivio para Corumba, e o pantanal mato-grossense.  Um empresário e politico local, conhecido do Ourivio, havia iniciado a construção de um hotel em Corumba, e queria que a Veplan entrasse no negocio.  Para tentar convencer-nos da viabilidade do empreendimento, o empresário nos levou para conhecer um aeroporto “Internacional”, localizado em Puerto Suárez na Bolívia, mas apenas há 20 kilometros de Corumba, onde ele alegava que podia pousar ate um Boeing 747, cheio de turistas.  A ida para Puerta Suárez foi uma aventura e tanto, já que eu estava sem meu  passaporte, mas como viajávamos num carro de “chapa branca”, foi me  assegurado que isto não seria um problema, como de fato não foi.  Chegando na fronteira, avistamos cenas caóticas e uma desorganizacao total, mas assim que o oficial boliviano que comandava o que parecia ser um grupo de recrutas do exercito boliviano avistou a chapa branca no nosso carro, bateu  continência, e mandou nosso carro passar.  Passamos pela localidade de Puerta Suárez, que não passava de um vilarejo pobre, com poucas ruas, nenhuma delas asfaltada.  Chegando ao aeroporto, encontramos o terminal totalmente deserto, parecendo ser abandonando.  Daqui um pouco apareceu um espécie de zelador, que informou que o único voo do dia, para Santa Cruz de la Sierra, era as 5 horas da tarde, e como ainda era 10 horas da manha, era normal que o aeroporto estivesse vazio.  Perguntei qual era o maior aeronave que utilizava o aeroporto,mas não tive nenhuma resposta convincente.  Retornamos para Corumba, passando mais uma vez pela caótica fronteira.  Felizmente, o negocio com o empresário local não seguiu adiante.

                                                                                                        




                                                                                                        


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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Porta-aviões

O Rio Palace era um hotel muito movimentado e muito bem frequentado, e isso me dava muitas oportunidades de conhecer pessoas interessantes.  Me lembro de um jantar muito agradável com o veterano ator de Hollywood, James Stewart, e sua esposa, e toda a agitação  dos roqueiros que participaram da primeira edição do Rock in Rio, realizado em 1985, quase todos hospedados no hotel.  Mas, uma experiência inesquecivel mesmo foi o que vivi  quando o porta-aviões americano USS Independence visitou a cidade em 1988.  O navio ficou na cidade por alguns dias e enquanto isso o Comandante do navio, junto com alguns oficiais, se hospedaram junto com as suas esposas no Rio Palace para aproveitar alguns dias de folga.  Como uma gentileza, ofereci um cocktail em homenagem ao Comandante no bar do hotel – O Horse`s Neck – com um pocket-show de musica bossa nova, que os americanos adoravam.  A noite foi muita simpática, e no final o Comandante me chamou de lado e perguntou se eu não gostaria de partir junto com o navio do dia seguinte, e passar 24 horas a bordo visitando todas as instalacoes.  “Depois, você volta de aviao”, ele me disse.  Era um convite irrecusável, e aceitei na hora.  No dia seguinte, pontualmente as 15 horas, eu estava aguardando no pier da Marina da Gloria quando adentrou na marina uma lancha com quatro marinheiros americanos perfilados, e mais um oficial. A lancha encostou no pier, embarquei, e ai começou uma aventura inesquecivel. Chegando no navio, que estava ancorado no meio da baía, fui levado aos aposentos destinados ao vice-almirante, que não estava nesta viagem, e que foram me cedidos.  Alem do quarto, os aposentos tinham um confortável sala de estar e e sala de refeicoes, alem de um atendente permanente.  O navio ia zarpar as 16 horas, e então fui levado ao ponte de comando para assistir a delicada operação de navegar o enorme embarcação na saída da baía da Guanabara.  A precisão da manobra era impressionante, e logo o navio chegou em alto mar, e rumou ao sul onde ia participar em manobras navais com navios da marinha brasileira.  Depois disso fui levado para visitar as muitas instalacoes do navio, inclusive uma área reservada onde eles mapeavam toda o movimento aéreo nas proximidades.  Paramos a visita para um jantar com o Comandante e outros oficiais e depois continuamos na visita ate uma hora da manha quando finalmente fui dormir.  As 5 horas eu já estava de pé de novo para tomar café da manha, e depois ir novamente ate o ponte de comando para assistir a decolagem das caças F-16, que participavam das manobras.  Depois de algum tempo assistindo o lançamento dos aviões, fomos ate o local onde orientam os pilotos para a aterragem.  O local ficava bem próxima ao local da chegada dos aviões, e dois ou três sinaleiros davam os sinais para facilitar a aproximação dos aviões.  Me deram uma capacete e uns plugs de ouvido e o oficial que me acompanhava disse “Se eu gritar Pule, você pula ai”, e apontou para uma rede pendurada na casca do navio, uns três  metros abaixo de onde estávamos, e continuou, “pode ser que você quebra uma perna ou um braço, mas e melhor isso do que morrer!”  Quando os aviões se aproximavam, eles tinham que levar em conta o efeito do vento, o balanço e movimento do navio, e outros fatores.  Os aviões vinham em zigue-zaque e várias vezes parecia que o avião vinha em cima da gente, ao ponto que já me preparava para pular na rede, mas na ultima hora eles desviavam e pousavam no lugar certo, há poucos metros de onde eu me encontravam.  O barulho era ensurdecedor,mesmo usando os plugs de ouvido, pois os aviões pousavam acelerando os motores, na suposição que eles teriam que decolar de novo.  O que fazia os aviões parar era o gancho que ficavam embaixo de cada avião engatando em um dos quatros cabos de aço que estavam esticados no convés.  O oficial me explicou que o objetivo era fazer o gancho engatar no segundo cabo de aço, pois isso significava que a aterragem tinha sido perfeito.  Engatar no primeiro cabo significava que o avião tinha entrado baixo demais, e engatar no quarto cabo significava o oposto.  Todos os pilotos recebiam uma nota de acordo com o desempenho de cada um, a cada aterragem.  Neste dia, houve um pouco de tudo, inclusive não engatar em cabo nenhum, o que obrigava  o avião a decolar imediatamente e tentar de novo.  Tudo muito emocianante.  Depois disso fui visitar as cozinhas e as enormes câmaras frigoríficas do navio, e era tudo muito impressionante.  Havia 4500 tripulantes a bordo, e cada um deles fazia quatro refeicoes por dia. Depois de sair do Rio de Janeiro, o navio só iria aportar de novo em San Diego na Califórnia.  Depois das manobras com a marinha brasileira, ainda haveria manobras com a marinha chilena, e o navio passaria 32 dias em alto mar antes de chegar em San Diego.  Isso significava que o navio havia saído do Rio de Janeiro absolutamente abarratoada de alimentos pois teria que servir quase 600 mil refeicoes antes de chegar ao seu destino.  Para se ter uma ideia, isso e mais refeicoes que a maioria dos hotéis cinco estrelas do Rio de Janeiro servem no ano inteiro. Para suprir essa necessidade de estocagem, eles tinham instalado seis containers frigorificados de 20 metros no hangar dos aviões, para suplementar o espaço de armazenamento de alimentos.  O cuidado com o higiene alimentar era total, e chegava a níveis que eu jamais havia imaginado ser possível, pois como me explicou o oficial, qualquer contaminação por alimentos num navio de guerra poderia ter consequencias catastroficas numa situação real de guerra.  Durante todo o tempo que estive a bordo do navio, observei que o Comandante raramente deixou o ponte de comando, e mesma na hora das refeicoes, ele não deixavam de ficar atento a tudo que se passava no navio.  A concentração dele em todos os detalhes era impressionante e a sua dedicação total.  Depois do almoço, chegou a hora de voltar para Rio.  Me explicaram como seria a sensação de ser catapultada do navio, pois a viagem de volta para Rio de Janeiro seria num avião turbo-hélice que levava uns 12 passageiros.  Decolei de costas, com os pés plantados no encosto da frente, e com a cabeça abaixada. Não e uma sensação agradável, principalmente porque depois de lançado o avião  cai em direcao ao mar para depois pegar novamente altura.  Eu estava usando um cinto de segurança de cinco pontas, mas com o impulso da decolagem, acabei dando um jeito no meu ombro direito e doeu muito durante vários minutos, mas depois passou.  Uma hora depois, pousamos tranquilamente na base aérea do Galeão, e de la peguei um táxi para chegar em casa, encerrando uma maravilhosa aventura de 24 horas.

domingo, 16 de outubro de 2011

Gaston Lenotre e Jean Castel

Quando o Rio Palace abriu suas portas no final de 1979, o hotel carioca mais badalada na época era o Hotel Meridien, que havia sido inaugurado em 1975.  Entre as razoes da badalacao era que o Meridien tinha um contrato com Paul Bocuse, o famoso Chef de Cuisine francês, que administrava o Restaurante Saint-Honore, localizado no ultimo andar do hotel, e ainda tinha no sub-solo do hotel um filial da renomada casa noturna, “Regine’s”.  Para não ficar em desvantagem neste aspecto, o dono do Rio Palace, José Carlos Ourivio, contratou o famoso Chef Patisserie, Gaston Lenotre, para abrir no Rio Palace um filial do seu restaurante parisiense, “Le Pré-Catalan”, e ainda celebrou um contrato com  Jean Castel para abrir um filial do seu lendário casa noturna “Chez Castel”.  Durante alguns anos ambas as casas funcionava dentro do esperado, mas em meados da década de ’80, por uma serie de razoes, não interessava a nenhuma das partes manter os contratos originais, e resolveu-se dar ambas os contratos por encerrados.  Me coube então a tarefa de viajar a Paris para me reunir com Lenotre e Castel  e encerrar ambos os contratos de uma forma amistosa.    A viagem acabou sendo uma das mais memoráveis da minha vida, pela grande fidalguia em que fui recebido, tanto por Gaston Lenotre, como por Jean Castel.  Ambos ficaram felizes pela maneira justa em que os contratos foram encerrados, e ambos foram muito generosos em me convidar para conhecer suas casas parisienses.   Na minha ultima noite no capital francês, o Jean Castel , que era casado com uma inglesa, me convidou para jantar na casa deles e depois iríamos todos para o “Chez Castel” , como ele fazia todas as noites.   O Jean só circulava pelo Paris no seu automóvel, que era um táxi londrino, completo com a direcao ao lado direito, e me lembro circulando  pelas ruas estreitas de Paris com a sensação que o carro iria bater a qualquer minuto, o que felizmente não aconteceu.  Nada poderia ser mais prestigioso do que chegar no “Chez Castel”, o ultra-sofisticado e fechadissimo club prive da Rue Princesse, acompanhado pelo próprio dono, e realmente todos me tratavam com extrema atenção.  A casa funcionava em três andares, com um restaurante no andar superior, e um discoteque no andar de baixo.  Todos os ambientes eram  luxuosamente decorados, com a predominancia de veludos vermelhos.  Enfim, “A Night to Remember”, sem duvida.  Voltando ao Brasil, o Castel passou a funcionar com o nome de “Palace Club”, enquanto o restaurante “Le Pré-Catalan”, manteve o nome e ate hoje continua em atividade.

sábado, 15 de outubro de 2011

Trabalhando e Viajando

Durante a década de `80 o Rio de Janeiro viveu um período de grande destaque no cenário de turismo internacional, e o Rio Palace, assim como os demais hotéis da cidade,  mantinha uma excelente taxa de ocupação, acima de 80%.  No caso do Rio Palace, boa parte dessa ocupação era devida ao turismo estrangeiro, e por isso o hotel mantinha uma ativa participação nas diversas feiras internacionais de turismo, o que  me obrigava a fazer muitos viagens ao exterior.  Em media, eu fazia seis viagens por ano para o exterior, ou para participar em alguma feira ou “workshop” organizado por Embratur ou para participar em algum evento promocional organizado pelo  “Leading Hotels of the World”.  Quando viajava, quase sempre ficava hospedado em algum hotel associado ao “Leading”, e esses não apenas ofereciam hospedagem gratuito, mas invariavelmente me hospedavam em alguma suite de luxo.  Com isso fui conhecendo - e desfrutando -  dos melhores suites nos melhores hotéis nos  principais capitais do mundo.  Alem de ser muito agradável, e  claro que isso também servia de aprendizado, pois observava tudo atentamente, e muitas inovacoes que implantei no Rio Palace, e mais tarde no Copacabana Palace,  eram frutos de que eu havia observado nestas viagens.  Nesta época a companhia aérea Varig era um grande parceiro e incentivador do trade turístico brasileiro, e seus escritórios de vendas no exterior serviam como um verdadeiro “embaixada” para o trade turístico.  Nas viagens ao exterior, fosse para que cidade fosse, era preciso, logo ao chegar, visitar o representante local da Varig, para obter informacoes comerciais essenciais que facilitaria o trabalho de vendas.  Alem de prestar todo tipo de ajuda no exterior, a Varig também oferecia grandes descontos nos preços de passagens para quem fosse participar em alguma atividade promocional do produto turístico brasileiro, e o resultado disso e que só viajávamos de Varig, e quase sempre, ainda éramos agraciados com “upgrades “ para a primeira classe, o que tornava a viagem ainda mais agradável!

Certa vez, fui participar de um evento promocional no Japão – uma viagem de 24 horas, que incluía uma escala de duas horas em Los Angeles.  Como sempre viajei com a Varig, e felizmente – considerando a longa viagem – fui mais uma vez agraciado com um “upgrade” para a primeira classe.  A viagem foi boa, mas como durmo pouco em avião, cheguei exausto no aeroporto de Narita em Tokio, e ainda tive que enfrentar duas horas de viagem de ónibus para chegar no centro da cidade.  Eu estava hospedado no New Otani Hotel, um enorme hotel de cinco estrelas que tinha perto de 3 mil apartamentos, que que também  era associado a “Leading”.  Quando cheguei no quarto, eram sete horas da noite, horário local, mas eu estava tão cansado que cai na cama e e dormi de roupa e tudo.  Quando despertei, já eram duas horas da madrugada, mas por causa do fuso horário, eu estava com um fome de cão.  Procurei no diretorio do hotel, e constatei que o hotel dispunha de 32 restaurantes diferentes, cada um com uma especialidade diferente, porem todos fechados naquela hora.  Incrivelmente, descobri  também que o   “Room Service”  também encerrava as atividades a uma hora da manha, portanto não havia como conseguir algo para comer!   Acabei comendo os dois pacotes de amendoim, que era o único alimento disponível no minibar.  Em compensação   fui o primeirissimo hospede a tomar o café da manha no dia seguinte, quando o restaurante finalmente abriu as sete horas da manha, e a garconette que me atendia deve ter ficada espantada com o apetite incomun do "gringo".

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ganhando Prestigio

A minha ida para o Rio Palace, alem de outras vantagens,  acabou me colocando em grande evidencia no mundo hoteleiro carioca e possibilitou que eu viesse a ocupar posicoes importantes nas associacoes de classe.  O mais importante dessas associacoes foi a AHT – Associação de Hotéis de Turismo, entidade que reunia todos os hotéis cinco estrelas da cidade, e alguns de quatro estrelas.  As reuniões dessa associação aconteciam mensalmente e reuniam a nata da hotelaria carioca onde se misturavam nomes tradicionais da hotelaria carioca como Álvaro Bezerra de Mello do grupo Othon, José Eduardo Guinle do Copacabana Palace, Eduardo Tapajos do Hotel Gloria, Ângelo Vivacqua e Francisco Grabowsky do grupo Luxor, Carlos Borges do grupo Frade, entre outros, com os diversos Gerentes Gerais estrangeiros que comandavam as cadeias multinacionais que haviam se estabelecida na cidade.  Era uma época muito profecia em conquistas para a hotelaria, e a participação nas reuniões da AHT foi muito enriquecedor para todos aqueles que participavam.  Mais tarde, já na década de ’90, tive a honra de presidir a associação durante uns quatro anos.  Outra entidade importante em que tive uma participação ativa foi o Rio Convention & Visitors Bureau.  A entidade foi fundada em 1984 e congregava todos os segmentos do chamado “trade” turístico, que inclui hotéis, companhias aéreas, operadores de turismo, agentes de viagens, organizadores de congressos, transportadores terrestres, restaurantes, joalherias, shopping centers, alem das entidades oficias de turismo como Embratur, Turisrio, e Riotur.  Inicialmente, já em 1984, fui eleito como representante da hotelaria no conselho curador da entidade, e anos mais tarde passei a ocupar primeiro a vice-presidência e depois a presidência da entidade, durante três mandatos seguidos, ate 2006.

O Rio Palace era também associado ao “The Leading Hotels of the World”, uma entidade de marketing que reunia os melhores hotéis do mundo.  Como representante do hotel, eu participava todos os anos da convenção anual  da Leading, alem de outros eventos promocionais que eles organizavam.  Na convenção anual de 1985, realizado em Nova York, foi decidido realizar a próxima convenção no Brasil,  sendo parte dela realizado em São Paulo, e a outra parte no Rio de Janeiro.  A comissão organizadora da Convenção era formada por Roberto Maksoud, representando o Maksoud Plaza, Chieko Aoki, representando os Caesar Park do Rio e São Paulo. Michael Parry, representante no Brasil da Leading, e eu, representando o Rio Palace.  Trabalhamos arduamente por quase um ano nos preparativos do evento  mas o resultado foi muito compensador, pois a convencao foi um grande sucesso e todos os participantes consideraram o evento como tendo sido o melhor de todos os tempos.  O encerramento  foi num jantar de gala no Rio Palace, seguida por uma apresentação da cantora Beth Carvalho, e um show de Carnaval comandado por Haroldo Costa.  O fato de ter participado na organização da  convencao  serviu  para aumentar muito meu “profile” dentro da Leading, e ampliar meu rede de contatos dentro da organização como, alias, também aconteceu com Roberto e Chieko. A partir de então  passamos a ser recebidos “com tapete vermelho” em todos os eventos da Leading que participássemos. Para completar, logo depois do evento  fui convidado a integrar o “International Marketing Committee” da entidade e isso aumentava ainda mais meu prestigio dentro da  organização.

domingo, 18 de setembro de 2011

Chegando no Rio Palace

A minha ida para o Rio Palace em 1983 representou um grande avanço na minha carreira e sem duvida me colocou imediatamente no “primeiro time” da hotelaria brasileira.  O hotel pertencia ao grupo Veplan, muito conhecido na época, e havia sido construído com muito luxo e requinte (por um custo de aproximadamente US$120 milhões em dinheiro de hoje) como o intuito de ser um dos melhores e renomados hotéis do pais.  O hotel havia sido inaugurado no final de 1979, e logo se tornou muito conhecido por ser o local em que Frank Sinatra se apresentou quando veio para Brasil no começo de 1980. O primeiro Gerente Geral do Hotel foi um austríaco, Hans Oppacher, que havia trabalhado no Sheraton.  Era um grande hoteleiro, com grande conhecimento das áreas operacionais do hotel, mas extremamente exigente e disciplinador.  Apesar disso, os resultados financeiros do hotel não eram bons e em 1981 o José Carlos Ourivio nomeou o jornalista e homem de marketing, Sérgio Rego Monteiro como Diretor Geral, com o intuito de melhorar o desempenho comercial do hotel.  O Sérgio então assumiu a direcao do hotel e foi responsável por uma serie de mudanças e inovacoes na área de vendas e marketing,  e no final de 1982 contratou um novo  gerente-geral, Álvaro Rodrigues,  para tocar o dia a dia do hotel, com Sérgio permanecendo como Diretor Geral do Hotel. O novo gerente geral era da Colômbia, e vinha da cadeia do Intercontinental na Republica Dominicana. Simpático, e agregador, o Álvaro era especializado na área de vendas e marketing, e e difícil imaginar um contraste maior entre o estilo de gestão linha dura e quase ditatorial  do Hans Oppacher e a politica de "laissez-faire" do Álvaro Rodrigues.  De qualquer forma, logo depois da vinda do Álvaro, o Sérgio Rego Monteiro deixou o grupo Veplan para assumir a Superintendencia do Jornal do Brasil, e o próprio Álvaro decidiu retornar para o grupo Intercontinental antes de completar um ano no cargo.  Do  total de dez meses que Álvaro permaneceu no cargo,  certamente 50% desse tempo foi gasto com viagens comerciais para o exterior.  Quando cheguei no Rio Palace  encontrei uma estrutura de organização muito diferente de que eu estava habituado, e nao demorou muito para eu perceber que teria que fazer alteracoes, tanto na estrutura organizacional, como também no quadro gerencial.  O hotel era grande e complexo – alem dos 415 apartamentos, havia dois restaurantes, um deles o Pré-Catelan, ainda com contrato com Gaston Lenotre, grandes áreas para eventos, e ainda tinha o Club Castel, que funcionava como um clube prive.  Tinha ao todo mais de 750 funcionários.  Aos poucos, fui fazendo as mudanças que eu achava necessárias.  Mudei o organograma do hotel para um modelo hoteleiro tradicional e trouxe dois ou três profissionais da minha confianca que haviam trabalhado comigo em outros hotéis, e afastei alguns gerentes que nao se enquadravam no perfil necessário.  Com isso fui formando uma equipe coesa, comprometida com os resultados, e motivada.  Depois de uns seis meses, os resultados estavam começando a aparecer, e um dia Ourivio me chamou ao seu escritório no centro e me disse “Estou nomeando você diretor estatuário  da Veplan Hotéis e Turismo”, e completou , “e a partir de agora você desfrutara de todos os benefícios e privilegios como os demais diretores do grupo, e nenhum outro diretor do grupo terá qualquer ingerência nos assuntos do Rio Palace”  Se teve momentos decisivos na minha carreira, isso foi sem duvida um deles.  A partir daquele momento passei a ter uma grande autonomia  na condução nos negócios do hotel, me reportando apenas para José Carlos Ourivio.  Como sempre, a sorte também me ajudava, pois a partir de 1984 o mercado hoteleiro carioca começou a melhorar, e consequentemente os resultados financeiros do Rio Palace também.

domingo, 28 de agosto de 2011

O Grande Pulo


No final de Outubro de 1983 eu fui surpreendido com um telefonema do Superintendente do grupo Veplan, empresa proprietaria do Rio Palace, me convidando para uma conversa no Rio de Janeiro com vistas de vir a assumir a gerência geral do Rio Palace.  Expliquei que não estava buscando uma mudança de onde me encontrava e que eu estava gostando do meu trabalho no Quatro Rodas, mas, coincidentemente, na semana seguinte eu estaria viajando para Rio para participar do BTM - Brazilian Travel Mart – um evento comercial do trade turístico brasileiro, e já estava inclusive com reserva feita no próprio Rio Palace.  Agendamos então um encontro, e isso levou em seguida a marcação de um encontro com o dono do grupo, José Carlos Ourivio, na residência dele no Leblon.  O encontro com José Carlos transcorreu de uma forma muito cordial, e conversamos sobre vários assuntos.  Disse-lhe, inclusive, que eu não me achava a pessoa  ideal para trabalhar no Rio Palace, pois, segundo se comentava no mercado, a gestão do Rio Palace era caracterizada pelo envolvimento, tanto do próprio Ourivio, como dos demais diretores do grupo Veplan, e que eu não atuava bem nesse tipo de ambiente,  já que a delimitação do meu espaço profissional e da minha própria autoridade era um valor fundamental para mim.  Disse-lhe que e o grupo Quatro Rodas,  havia contratada recentemente uns consultores da área de Recursos Humanos com o objetivo de traçar o perfil psicológico de todos seus executivos, e esta observação constava do meu laudo.  Ourivio se interessou pelo  laudo acabei passando-lhe uma copia. O laudo era, no geral, bastante positivo, mas também continha algumas criticas e sugestões de como eu poderia me aprimorar.  Quando passei-lhe a copia eu disse  “Olha, eu não concordo com tudo que esta escrito neste laudo, mas, reconheço que um trabalho bastante bem feito,  e acredito que retrata corretamente o tipo de gestor que penso que sou”.  “Pelo menos, as partes boas estão corretas”, acrescentei, rindo.  Ourivio havia ficado  intrigado com meu comentário sobre seu envolvimento na gestão do hotel, e me disse que não era isto sua intenção.  Ele me disse que o escritório dele ficava  no centro da cidade e só raramente ele comparecia no hotel.  Alem disso, ele tinha muitos outros afazeres com os demais empresas do grupo, e o que ele procurava mesmo era um profissional que assumiria total responsabilidade pela gestão do hotel.   Ainda conversamos sobre outros assuntos, inclusive sobre Flamengo, time pelo qual ambos torcemos, e o encontro terminou da mesma forma que começou, de uma forma bastante cordial. Quando saímos da casa do Ourivio, o Superintendente da Veplan, que havia participado do encontro estava bem feliz.  “Tenho certeza que o emprego e seu, caso você queira”, ele me falou “conheco bem o José Carlos, e ele gostou muito de você!”   E de fato ele teve razão, pois poucos dias depois recebi  do Ourivio uma oferta formal para assumir a gerência-geral do Rio Palace, o icónico hotel do posto seis em Copacabana.  Embora eu estava feliz no Quatro Rodas, e gostava de morar em Olinda, era uma oferta irrecusável,  tanto pelo pacote de remuneração e benefícios oferecidos, e mais ainda pela oportunidade de assumir a gerência-geral de um dos mais importantes hotéis do Rio de Janeiro, e do pais.  Pedi então demissão do Quatro Rodas, e em Dezembro de 1983,  com 37 anos de idade, assumi a direcao de um dos mais renomados hotéis brasileiros.  Era um passo decisivo no caminho que me levaria, seis anos depois, a assumir a direcao do Copacabana Palace.